segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Suicídio: Um tabu que precisa ser falado

Postado por Noticiando PB  | 

(imagem ilustrativa)



O suicídio é um fenômeno de cunho psicossocial, isto é, possui suas origens tanto na dimensão psíquica das pessoas quanto na dimensão social, que é tão antigo quanto à humanidade. A diversidade cultural permitiu que o suicídio fosse percebido de formas diferentes por distintas sociedades, por exemplo, no extremo oriente, desde a antiguidade tal fato esteve aliado à honra. Portanto, para um samurai que tivesse falhado no serviço de proteção ao seu Senhor, ou mesmo para não ser capturada no campo de batalha, o tirar a própria vida, era o único caminho a seguir. Por outro lado, no ocidente, por causa da expansão do cristianismo, o suicídio passou a ser visto mais ainda como um atentado à própria pessoa, à obra divina, e, por conseguinte como um pecado.

Sendo assim, com o desenvolvimento social, com o estabelecimento da doutrina cristã, e com os processos revolucionários, cada vez mais, ao menos no mundo ocidental, o suicídio passou a ser visto como um grande desperdício da vida alheia. No entanto, não significou com isso que as pessoas tenham cometido menos tal ato contra si.

            Talvez a perda do sentido da vida seja o núcleo central da decisão de se retirar a própria vida. Numa sociedade que pressiona as pessoas a todo o momento para ser exitoso em suas atividades diárias, um pequeno fracasso, principalmente para os jovens (maior parte da população brasileira nos dias de hoje) pode ser o motivador para uma decisão mortífera. A exigência de se mostrar feliz a todos os momentos nas redes sociais também pode ser um gatilho para esta conduta, haja vista, a manutenção da felicidade no cotidiano ser extremamente difícil por conta das diversas interações sociais. O vazio existencial por mais contraditório que possa ser é um leitmotif para o suicídio.

     Esse vazio existencial ele traz consigo, aflição, angústia, podendo causar depressão, a pressão social que é exercida em nossa sociedade cada vez mais intensa influenciando ao individuo a participar de grupos perigosos, como por exemplo, o que aconteceu recentemente o desafio da “Baleia Azul”.  Unindo vários jovens em um grupo social, cada um responsável por um desafio, mais ao final dos desafios teriam que tirar sua própria vida, desafios devastadores a qual o integrante teria que cumprir. Mais você teria o livre arbitro para participar, a angústia a solidão vivida com muita intensidade pode favorecer a identificação com a morte, fazendo com que esses jovens participem desses grupos que oferecem desafios ao limite da vida. Infelizmente a sociedade em que vivemos impõe certo padrão para os indivíduos, onde você tem que se adequar ao que ela impõe, causando vários conflitos em si mesmo. Seja um padrão de beleza, ou até mesmo um padrão de felicidade, a qual o ser humano deve está em todo momento feliz. É importante frisar que o ser humano quando comete suicídio ele na verdade que matar a dor que está o afligindo naquele momento, matar suas angústias, e não matar a si mesmo.

   No Brasil, os índices de suicídio nas diversas faixas etárias não são tão alarmantes como em países da Europa oriental (Estônia, Letônia, Lituânia, Finlândia, Hungria, Rússia) e da Ásia (China e Japão), mas, em relação à adolescência, como ocorre na maioria dos países mencionados, as taxas de suicídio vêm, também, aumentando (De Leo, 2004; WHO, 2001). Um estudo publicado por Souza, Minayo e Malaquias (2002) demonstrou que Porto Alegre e Curitiba são considerados as capitais com os maiores índices de suicídio registrados em jovens com idades entre 15 e 24 anos, comparadas com outras nove capitais (Belém, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro e São Paulo). Este dado torna-se alarmante principalmente porque as estatísticas sobre suicídio são falhas e subestimadas, ainda mais no que se refere a adolescentes, sendo que seus atos autodestrutivos são, muitas vezes, negados e escondidos pela família. (Borges, R, V. Werlang, G, S, B. (2006) Natal-RN).

   Embora já tenham estudos com relação ao suicídio que possa ter uma raiz genética, a uma marca no suicídio que pode ser depressão, doenças com relações ao humor não tratadas. A revista Galileu de 2015 fala de seis comportamentos do suicídio, um desses seis comportamentos está relacionado à fala, a mudança repentina de vestimenta os cuidados pessoais, a tristeza, a mudança repentina para uma melhora quando já está com um quadro crônico e melhora repentinamente. Então deve existir uma atenção maior quando isso começa acontecer no individuo que já apresenta essa tendência suicida.



Dr. Leconte de Lisle Coelho Junior – Docente do curso de Psicologia da Faculdade Maurício de Nassau/Campina Grande

Eslly Lais de Aguiar Lima – Graduanda em Psicologia da Faculdade Maurício de Nassau/Campina Grande

    Dr. Rodrigo Assumção- Psiquiatra, Graduando em Psicanálise/ Joinville- SC. 

Autor

Noticiando PB

Total de visualizações de página

Subscribe to our Mailing List

We'll never share your Email address.
Copyright © 2013 Noticiando PB. Powered by Blogger.
Blogger Template by Bloggertheme9
(83) 9 9618-4861 noticiandopb1@gmail.com